Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC

Preocupar-se excessivamente com sujeira, lavar as mãos a todo o momento, evitar o  uso de banheiros públicos, revisar repetidas vezes a porta, o fogão ou o gás antes de sair de casa ou ao deitar, necessidade exagerada de arrumar as coisas, ter medo de passar perto de cemitérios, funerárias ou de usar certas cores de roupa com medo de que possa acontecer algo de muito ruim, ser atormentado por dúvidas intermináveis ou por pensamentos "horríveis" são alguns dos inúmeros sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo ou TOC.

Conhecidas popularmente como "manias" essas manifestações atormentam milhares de pessoas em todo mundo.  Muitas vezes são leves e quase imperceptíveis, mas não raro, são extremamente graves, podendo incapacitar a pessoa para o trabalho e impedí-la de relacionar-se socialmente. 

Em geral elas são acompanhadas de ansiedade, medo e culpa, causam muito sofrimento, tomam tempo da pessoa e interferem nas rotinas pessoais, na vida social e da família. Muitas vezes não são reconhecidas como sintomas de uma doença o que faz com que as pessoas afetadas não busquem tratamento ou demorem muito para fazê-lo.

Neurociência do TOC

Ao longo da história da psiquiatria, desde o século XIX. Alguns autores antigos colocavam o TOC como um transtorno do Intelecto, da Vontade ou das Emoções. Freud interpretou a neurose obsessiva como um conflito entre o consciente e o inconsciente, resultado da repressão do desejo sexual.

Contudo, com o avanço de técnicas científicas modernas de neuroimagem e genética, atualmente a medicina explica o TOC a partir de uma visão mais neurobiológica. O TOC é consequência da interação de fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais.

Essa interação altera o funcionamento de circuitos que conectam áreas mais externas do cérebro, regiões do córtex ligadas ao processamento das emoções, do planejamento e ao controle das respostas de medo, a áreas internas como os núcleos da base e o tálamo, que integram informações emocionais, cognitivas e motoras, regulando a resposta ao ambiente.

No TOC, a troca de informações entre essas áreas, mediada principalmente pelo neurotransmissor serotonina, estaria desregulada.

Ou seja, a área chamada córtex orbitofrontal, localizada "atrás de nossa testa" responsável por julgar a realidade, determinar se algo ou situação é boa ou ruim, se uma ameaça merece ou não ser avaliada, está funcionando de forma demasiada, sem interrupção. Em outras palavras, áreas primitivas relacionadas à ansiedade estão ativadas, mandam sinais de "perigo" e córtex orbitofrontal não consegue "frear" esse sinal. Todo pequeno perigo ou ameça ao corpo tem que ser checada!

Nessa imagem de PET scan, observamos que pacientes com TOC apresentam uma ativação muito maior em áreas mais frontais, principalmente no córtex orbitofrontal ( apontado pela seta). Essa área é responsável por julgar as ameaças e perigos, e avaliar se merecem ou não serem checadas. Ou seja, o cérebro da pessoa com TOC não consegue "desligar-se" desses pequenos perigos.

Psicoterapia

O tipo de terapia mais eficaz para o TOC é a chamada Terapia Cognitivo Comportamental, que muitos já ouviram falar. De forma simples o objetivo da terapia é ajudar a pessoa com TOC a tentar não lutar contra os pensamentos ou contra as sensações ruins que aparecem, deixá-los vir, sem tentar evitar. Juntamente com isso, evitar, sim, ao máximo, fazer os comportamentos ou compulsões para aliviar essas sensações ruins. Numa primeiro momento parece desafiador e muito difícil. Mas um bom profissional de terapia vai, junto com o indivíduo e, NO TEMPO E NA INTENSIDADE QUE CADA PESSOA TOLERAR, adotando essas estratégias o que leva a uma diminuição das obsessões e compulsões.

Fontes: neurociencia.med, ufrgs